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Dos robinhos da maldade, dos denílsons da babaquice

joão baldi jr. Comentários

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Por mais que nós tenhamos consciência de como o mundo é duro, a realidade é complexa e nem sempre aqueles ideais de amizade, harmonia e um coleguinha emprestando o giz de cera pro outro, que aprendemos em casa e na escola, conseguem ser diretamente aplicados por todos na vida real, é sempre um certo choque quando somos obrigados a aceitar que alguma pessoa, seja ela próxima ou distante, está agindo de forma deliberada visando nos prejudicar. Afinal, na nossa narrativa pessoal nós somos os protagonistas, na nossa visão de mundo nós somos os mocinhos, no star wars de cada um somos todos Luke Skywalker e ninguém quer ser Darth Vader (ainda que eu pessoalmente ache mais bacana ser o Lando por que nada supera o combo capa e bigode).

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Colegas que não ajudam o seu trabalho #23, #24 e #25

joão baldi jr. Comentários

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O cagão – Extremamente cioso da própria posição profissional, esse colega apresenta um estado constante de total e completa paranóia em relação a sua manutenção no emprego. Ele tem medo de contrariar o gerente, receio de discutir com o coordenador, pavor de contradizer o supervisor, não gosta de se envolver em argumentos com colegas de trabalho, evita questionar pessoas da outra gerência e uma vez foi visto trazendo um café para o estagiário porque ele parecia meio chateado e nunca se sabe que contatos aquele garoto pode ter. Incapaz de negar uma solicitação, questionar uma ordem ou apenas avisar que montar a árvore de natal da gerência não é exatamente trabalho de designer, a tendência natural desse profissional é sempre a de acumular demandas sem sentido, se perder em tsunamis de retrabalho e ficar até as 20:00 no escritório revisando o convite pra festa de 15 anos da tartaruga de um gerente que pediu com muita insistência. Ainda que visto como um perigo apenas para si mesmo, ele quase sempre arrasta em sua paranóia seus colegas de setor, que acabam envolvidos nas suas atividades e passam muita raiva, principalmente por sempre terem sido péssimos montando essas árvores de plástico. Aqueles encaixes apenas não fazem sentido pra mim, sério.

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Sobre breves limites pro seu repertório pessoal de mentiras inofensivas e inverdades de tonteio

joão baldi jr. Comentários

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#Não que você seja surdo ou tenha algum problema, mas você não ouve muito bem. Quando as pessoas falam você precisa olhar pra elas, quando telefonam você precisa pedir pra repetir, odeia ver filme dublado porque precisa ficar voltando. Mas ao mesmo tempo você não gosta de importunar. Acha chato dizer “como?”, não gosta de mandar um “desculpa?”, então você desenvolveu com o tempo um estilo de escuta passiva que consiste em apenas sorrir, as vezes até rir mesmo e dizer “ahhhh, claro” ou “ahaaaam”. Você usa isso com a chefe, mas depois pede confirmação por email, você usa isso com a namorada, quando sabe que ela tá irritada demais pra repetir o que falou, você usa isso com sua mãe, quando ela fala muito rápido, muito baixo e você sabe que o assunto não é importante. Aí um dia sua mãe bate na sua porta e diz que já comprou os ingressos pro show. Que show? Oswaldo Montenegro. Que ingressos? Vocês tinham combinado. Mas como? Pelo telefone. Quando foi isso? Semana passada, você disse “ahhh, claro”. Você respira fundo e pensa. Voa condor.

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2013 e a pequena morte das grandes resoluções

joão baldi jr. Comentários

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De todas as promessas de ano novo que fiz envolvendo os aspectos mais diversos da minha vida, desde dar mais atenção para as pessoas até parar de culpar a tim quando não quiser atender ligações, passando por não usar minha mãe ou minha namorada como pretexto para não participar de eventos e nunca mais mencionar religiões que eu não sigo como desculpa para não provar comidas, uma das que eu concluí que precisava levar mais a sério era a de tentar olhar o mundo com menos hostilidade.

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Pessoas com quem você não quer topar durante uma reunião #97, #98 e #99

joão baldi jr. Comentários

#97 – O Ted Mosby: Um contextualizador obsessivo, o Ted Mosby sente uma necessidade incontrolável de, diante de qualquer questão, por mais simples e inócua que seja, oferecer um panorama completo, histórico e detalhado de todos os aspectos relacionados ou não, conseguindo transformar qualquer discussão, mesmo que absolutamente superficial, numa verdadeira palestra. Ele não consegue falar sobre o fluxo de caixa sem apresentar o plano de negócios, não consegue apresentar o projeto sem discutir a missão, não consegue citar o nome de alguém sem mencionar toda a equipe, incluindo background, formação e habilidades específicas e certa vez, quando alguém perguntou quem tinha feito aquele café delicioso ele começou com a frase “a história do café começou nas terras altas da etiópia no século IX…” e todos só conseguiram sair da sala quando o cara da segurança apareceu pra dizer que precisavam apagar as luzes.

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Sobre primeiros beijos, saltos de fé e todo esse medo de portfólios, originais e empregos novos

joão baldi jr. Comentários

Uma teoria que eu sempre tive é a de que em nenhum momento, independente de qual seja, o tempo se move tão lentamente quanto naqueles momentos antes de um primeiro beijo. Sim, os poucos segundos, logo antes dos lábios se encontrarem, em que você já moveu o corpo, olhou diretamente nos olhos, e começou a aproximar o seu rosto do dela, manifestando claramente suas intenções, deixando de lado qualquer resquício de fingimento e abandonando de vez aquela farsa de que vocês efetivamente saiam do trabalho todo dia no mesmo horário ou magicamente entravam no gtalk na mesma hora quando estava óbvio que você ficou mais de vinte minutos passando frio do lado de fora daquele prédio e estava offline jogando marvel ultimate alliance o tempo todo.

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Sobre uma certa ligação entre a complexidade da descrição do seu dia e a hora certa de trocar de trabalho

joão baldi jr. Comentários

 

No começo dava pra descrever rapidamente, fosse do jeito que fosse. Sua mãe, seu irmão, as vezes uma tia ou uma avó perguntavam como ia o trabalho e você soltava um “tudo bem”, “meio chato”, “um pouco cansativo”. Você não pensava muito, era apenas trabalho, tinha seus dias bons, tinha seus dias ruins.

Depois começaram as metáforas. Encontrando com a namorada na sexta à noite você dizia que “era um inferno”, “era um caos”, “era uma droga” e rapidamente partiu pras comparações simples, mencionando que era como “uma bela surra de bastão”, “apanhar na rua” ou “como estar preso num episódio ruim de the office”.

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Dois pequenos interlúdios profissionais

joão baldi jr. Comentários

 

#1

Escritório lotado, começo da tarde. Por alguma razão todos usam seus telefones de trabalho no viva-voz, como se estivessem jogando aqueles simuladores de direção com volantinhos enquanto falam ao telefone, o que seria muito legal mas não é verdade. Ao meu lado uma colega começa a discar e logo em seguida tenho acesso ao seguinte diálogo.

“Boa tarde, eu queria marcar uma aula com o professor Kumon”

“Como assim professor Kumon, senhora?” Continua…

Diários da ex-adolescência #6 – O estagiário pornô [2/2]

joão baldi jr. Comentários

 

Da primeira vez foi uma coisa inocente, claro. Ele se aproximou, perguntou se estava tudo bem e se eu, que entendia dessas coisas de internet, poderia dar uma força. Ele queria baixar uns filmes e não sabia onde procurar. Eu, estagiário, fui dando indicações sobre torrents, sites de filmes legendados, essas coisas, até entender exatamente de que tipo de filme ele falava e explicar que bem, eu não poderia ajudar num assunto assim, feria minha ética profissional, sabe como é. Primeiro porque eu sempre vi a pornografia da mesma maneira que o álcool – é interessante, ajuda a relaxar,durante a adolescência você talvez exagere na dose e não consiga responder a algumas perguntas dos seus pais, mas quando começa a afetar sua vida pessoal e seu trabalho é porque você está indo longe demais. E depois porque, bem, era eu baixando pornografia pra um cara. Isso é esquisito, de diversas formas. Não é bacana.

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Diários da ex-adolescência #6 – O estagiário pornô [1/2]

joão baldi jr. Comentários

A época era o começo dos anos 2000, a cidade era Viçosa, o período era o sexto da faculdade de jornalismo, as aulas de fotografia eram feitas com pinhole, a vida era complicada, o contexto econômico era catastrófico. Após anos de uma confortável vida como jovem de classe média eu me via, após a implosão das empresas pontocom, a crise do óleo no oriente e a demissão do meu pai, obrigado a finalmente me defrontar com a realidade de um mundo sem mesada, sem dinheiro pra livros, sem mochila nova e onde independente da sua opinião sobre café da manhã, almoço e jantar, a refeição mais importante do dia seria fatalmente o macarrão com salsicha.

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