romantismo teórico

Problemas práticos do romantismo teórico – XVII

joão baldi jr. Comentários

Como qualquer pessoa pode notar, existem várias pequenas características que tornam um envolvimento romântico diferente de qualquer outro tipo de relacionamento que você vá ter na vida, seja um relacionamento profissional, um relacionamento familiar ou aquele tórrido, malicioso e sensual programa de relacionamento da sua companhia aérea. Isso porque afinal, por mais que você goste do seu trabalho, você não sonha com ele duas noites seguidas, por mais que você goste da sua avó, você não fica ansioso, nervoso e provando camisas diferentes quando vai sair com ela, e por mais que você ache bem bacana quando a Gol faz aquelas promoções e te deixa visitar seus tios em Floripa por metade do preço, não é por causa dela que você tem nutrido essa alegria boba e essa simpatia meio constrangedora por certas músicas da carreira-solo do Frejat sobre as quais você não quer falar muito agora porque essas coisas te deixam meio sem graça. E no meio de todas essas pequenas particularidades, existe uma que se torna realmente gritante quando um envolvimento amoroso é comparado com algum outro tipo de relacionamento: a necessidade de reciprocidade.

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Problemas práticos do romantismo teórico – XVI

joão baldi jr. Comentários

O conhecimento popular e o senso comum nos dizem várias coisas sobre o relacionamento homem e mulher que muitas vezes não são necessariamente verdadeiras ou que, mesmo quando são, não devem ser levadas ao pé da letra. Idéias como “ela disse não mas quer dizer sim”, “você pode ganhar pela insistência” e “o naked man sempre funciona” podem ter em si algum fundo de verdade mas não são necessariamente dogmas nos quais você pode se apoiar pra levar a sua vida (ainda mais porque, como todos nós sabemos, o naked man só funciona em 2/3 dos casos). Mas uma verdade que parece se manter inabalável para qualquer homem é o fato de que ele se torna muito mais atraente para as mulheres quando está num relacionamento.

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Problemas práticos do romantismo teórico – XV

joão baldi jr. Comentários

Ainda nos tempos do colégio eu e um amigo tínhamos a chamada “Teoria da ex-namorada”. Ela consistia numa crença de que a sua futura namorada seria, de uma certa forma, escolhida pela sua ex-namorada, já que o perfil de garota que você buscaria num novo relacionamento seria claramente influenciado pelo perfil de garota com quem você se relacionou anteriormente, numa relação de causa e efeito que poderia ser retomada até o seu primeiro beijo e faria com que Viviane, aquela inocente menina de nove anos que morava na casa ao lado fosse responsável por esse seu relacionamento doentio com Lucinha, essa nada inocente garota de 27 anos que dorme com o cara que mora na casa ao lado e nem disfarça, essa vaca.

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Problemas práticos do romantismo teórico – XIV

joão baldi jr. Comentários

Todos nós gostamos de elogios, claro. Ainda que alguns saibam reagir a eles com graça e sutileza e outros reajam com uma falta de tato que te faz pensar “mas por que raios eu elogiei esta besta?” (vocês não podem ver, mas estou digitando com meu braço levantado agora), todos nós gostamos de ouvir palavras de incentivo, receber frases de aprovação e possivelmente ganhar um tapinha no ombro (ou na bunda, isso depende da pessoa) como sinal de que sim, essa foi boa, nos superamos e está tudo bem agora.

Mas ao mesmo tempo que temos toda essa simpatia pelas palavras positivas, pelo retorno amigável diante de algo que deu certo, também temos, várias vezes, dificuldade pra aceitar a opinião contrária, a réplica não tão legal, aquele comentário de que não, não deu certo, saiu tudo uma merda, você é um idiota e estamos profundamente impressionados que você consiga mascar chiclete e caminhar sem morrer sufocado, seu imbecil. Mas mesmo que doa, mesmo que as vezes magoe, temos que entender que em todos os aspectos da nossa vida (e principalmente em nossa vida pessoal) nós temos muito a aprender com ele: o feedback negativo.

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Problemas práticos do romantismo teórico – XIII

joão baldi jr. Comentários

Uma questão complexa na existência humana é a de saber quando persistir e quando desistir em relação a alguma coisa. Seja uma jogada no futebol de segunda, seja um projeto pessoal, seja uma entrada pra um show, seja um emprego, seja uma idéia genial que você teve pra construir camas beliche de casal para praticantes de swing, existe sempre uma zona acinzentada e muito pouco nítida que separa a persistência legítima e que vai, mais cedo ou mais tarde, te levar ao sucesso (ou ao menos a uma sensação de que sim, você fez tudo que podia fazer) e a insistência idiota e que vai te levar apenas a sensações relacionadas à vergonha, degradação e possivelmente uma certa vontade de não sair de casa por uns dias (camas beliche pra casal? sério mesmo?). E claro, quando se trata da sua vida pessoal essa zona cinza e pouco nítida pode acabar se tornando também desfocada, mal-iluminada e coberta por um fungo que você não sabe identificar mas acha meio nojento.

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Problemas práticos do romantismo teórico – XII

joão baldi jr. Comentários

A nossa auto-imagem, ou seja, a forma como vemos a nós mesmos, é um dos aspectos mais complexos e fragmentados da nossa mente. Assim como uma espécie de Capitão Planeta (só que sem o garotinho segurando o macaco) ela é composta de vários fatores que vão desde o que nós somos até o que nós pensamos que somos passando pelo que nós pensamos que os outros pensam que nós somos, o que nós gostaríamos que os outros pensassem que nós somos, e mais inúmeros fatores e/ou outras frases que vão me confundir se eu tentar escrever. Ou seja, é o tipo do assunto complicado, esquisito e meio caótico que você tenta ao máximo fazer com que não venha à tona, mas que, como grande parte dos assuntos complicados, esquisitos e meio caóticos, acaba vindo à tona quando você gosta de alguém ou alguém gosta de você.

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Problemas práticos do romantismo teórico – X

joão baldi jr. Comentários

Sinceridade é uma dessas coisas que são sensacionais na teoria, mas que tem uma aplicação muito complexa no mundo real. Sua mãe pergunta a sua opinião sobre aquele patê de frango que ficou uma droga e você não sabe o que dizer para não ferir os sentimentos dela; sua namorada te pergunta se você acha que ela está engordando e você tem que escolher entre mentir e ser pressionado ou dizer a verdade e nunca mais comer sem usar um canudo; seu amigo quer saber o que você achou daquele filme experimental dele com duras horas de duração (em que tudo que você entendeu foi que filmes experimentais não deveriam durar duas horas) e você não sabe se fala que foi uma merda e perde o amigo ou fala que foi divertido e corre o risco de não só ver aquilo de novo como estar na primeira fila na premiére da continuação. Como eu disse, sinceridade é uma coisa complicada.

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Mais adendos à lista imensa de palavras que você não deveria pronunciar durante um primeiro (ou segundo, ou terceiro, ou quarto) encontro

joão baldi jr. Comentários

Ex, namoro, x-men, cronologia, condicional, pré-crise, ressaca, freira, fantasia, jesus, matraca, masturbação, girafa, bobina, relatório, gerente, batman, siamesas, meleca, viagra, relacionamento, confiança, ciúme, herpes, testemunho, fiança, advogado, condicional, toquinho, metrossexual, gordinha, gordinho, pornô, faxina, taxidermia, cristais, extermínio, câmbio, estrepolia, danadinha, vibrador, banheira, flamengo, corinthians, bandeirinha, carbono, necrofilia, vovó, papai, mamãe, terapia, clínica, reabilitação, asno, anões, bolívia, marcinha, pedrão, prima, suruba, sauna, eslavos, zagallo, trivela, cachaça, prosopopéia, priapismo, solitária, carente, xena, reducionismo, alienação, membrana, cirurgia, corisa, desmanche, galápagos, fugindo, polícia, nestor, macete, 4chan, hentai, tentáculos, metalizado, figurinha, malandrão, boné, ronco, colegiais, menudos, lambada, motosserra, prótese, virgem, apartheid, rodriguinho, girondinos e jordy.

Problemas práticos do romantismo teórico – XI

joão baldi jr. Comentários

Como eu já disse aqui antes, as pessoas quando se apaixonam tendem a, ainda que sutilmente, se dissociar da realidade e das pessoas ao redor, de certa forma se fechando em um mundo pessoal onde as nuvens são cor-de-rosa, o universo tem música ambiente e gastar 300 reais numa blusa faz sentido se ela tiver realmente achado aquilo bonito. E com isso, com essa vida imersa numa bolha de amor, paixão, sentimentos românticos e depoimentos de orkut com letras do Jota Quest, o casal começa a desenvolver um grau de intimidade que gera praticamente uma linguagem própria, tanto no campo verbal quanto no não-verbal, com gestos, silêncios, e movimentos que dizem mais do que palavras, frases ou mesmo livros inteiros jamais poderiam dizer. E claro, é nesse contexto que também surgem eles: os apelidos carinhosos.

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Problemas práticos do romantismo teórico – IX

joão baldi jr. Comentários

Eu não sei quantos de vocês gostam de “How i met your mother” ou mesmo quantos de vocês sequer conhecem a existência da série (que por sinal é sensacional), mas teve uma cena na 3ª temporada dela que levantou uma questão que é meio bizarra nos dias de hoje: a de que o romance, assim como o açúcar e as bebidas destiladas, é algo com cujas grandes quantidades nós não sabemos lidar no nosso cotidiano. Nós pensamos nisso, talvez as garotas se ressintam da falta disso, mas em termos reais definitivamente não estamos preparados para lidar com certos graus de romantismo. Mas vamos à cena e ao contexto.

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