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Trecho número 67 de uma tentativa de teoria unificada das comédias românticas

joão baldi jr. Comentários

John-Cusack-Say-Anything

De todos os conflitos lógicos que dominam o gênero das comédias românticas – estabilidade x novidade, liberdade x compromisso, aceitação x correção – poucos são mais complicados de solucionar racionalmente e geram mais dissociação em relação aos princípios do romance real e prático do que a dicotomia básica entre a definição do amor enquanto solução ou fim da jornada e a visão do romance enquanto processo ou conquista contínua, possivelmente as duas mais frequentemente apresentadas nesse contexto ficcional específico. Continua…

5 momentos do novo filme do Batman que desafiaram um pouco minha capacidade de suspensão da descrença

joão baldi jr. Comentários

[contém praticamente todos os spoilers]

# A identidade secreta tão absolutamente secreta que pode ser descoberta por um policial órfão apenas porque ele também já precisou esconder a sua raiva, como se, sendo o Nelson Gonçalves um super-herói mascarado, eu conseguisse reconhecê-lo apenas porque eu também sou gago e sei a dor pela qual ele passa, sem contar o fato de que ele espanca os bandidos cantando “boemia, aqui me tens de regresso”.

# O Batman speedate que depois de 8 anos sem querer nem mesmo sair de casa ou falar com outras pessoas resolve se entregar de alma e coração pra uma mulher que viu apenas 4 vezes e bota ela pra dentro de casa pra praticar o desporto bretão já na primeira tarde de chuva. Além disso temos também a confiança extrema do Batman na Mulher-Gato, que só pode explicada “because of reasons”, já que ele não teria nenhuma razão lógica para tal. Bônus points pelo fato dele depois ser encontrado pelo Alfred de novo junto com a Mulher-Gato porque é aquilo, depois que a porteira quebra até o boi manco passa pulando [a porteira seria o coração do Batman e o boi manco seria a Mulher-Gato. explico porque sei que nem todo mundo entende as frases rurais que aprendi com meu avô]

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Sobre Drive, rudimentos de interpretação cinematográfica e a eterna semiótica do palito de dentes

joão baldi jr. Comentários

Dentre todas as fascinantes características das obras de arte contemporâneas, uma das mais intrigantes, senão a mais intrigante de todas, é a de sua indeterminação, de sua posição como obra aberta, por assim dizer. Isso porque, sendo exposta a quantas interpretações quanto for seu número de leitores, ela nunca se esgota, com cada observador participando ativamente do processo criativo e da busca por significado. E claro, ao mesmo tempo em que, no aspecto positivo, isso quer dizer que a obra de arte sempre se renova a cada leitura já que todo novo leitor tira dela um sentido diferente, no aspecto negativo isso quer dizer que alguns leitores, várias vezes a maioria deles, vai apenas viajar grandão, ter um monte de idéia errada e ir pra casa achando que Cocoon era um filme pornô porque tinha idosos em traje de banho. Sério, tem galera que faz isso mesmo.

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Movie Review #16 – “Os Muppets”

joão baldi jr. Comentários

 

Uma coisa que fica cada vez mais clara é que vivemos na era do “humor de borda”. Sim, o humor que está tentando desafiar convenções, o humor que está lutando desesperadamente pra ser “inteligente”, o humor que quer se mostrar politizado, o humor que quer dar tapas de lado de mão na cara da sociedade, levar até seus máximos limites a discussão sobre responsabilidade jurídica e deixar a esquerda atônita, a direita confusa e os adolescentes de centro discutindo inconclusivamente no twitter.

E diante desse humor que tem os mais diversos objetivos e acaba várias vezes deixando de lado algumas das premissas básicas nas quais deveria se sustentar – ser engraçado, por exemplo – várias vezes a gente se pega sentindo falta do humor garoto, do humor moleque, do humor de pés descalços, mais ingênuo e infantil, que mais do que te fazer refletir sobre a humanidade, dissertar sobre a vida e a morte ou mesmo questionar os limites humanos do mau-gosto, tem apenas a intenção de te fazer rir, ter umas duas horas agradáveis e não precisar acompanhar o desenrolar de cada uma das piadas através das manchetes dos jornais. E é nessa categoria, praticamente esquecida, que se encontra o novo filme dos Muppets. Continua…

3 problemas que eu tive com o filme do Lanterna Verde (e 2 coisas bacanas também)

joão baldi jr. Comentários

A indefinição do tom: mais ou menos como uma senhora idosa participando do programa “Tentação” com Sílvio Santos, Lanterna Verde nunca sabe exatamente pra que lado ir. Se em alguns momentos ele procura a ficção científica, em outros ele avança na direção da comédia e em vários parte para o romance, sem em nenhum deles conseguir efetivamente funcionar. Não que outros filmes baseados em quadrinhos como Thor e Homem de Ferro não tenham nos mostrado que é possível sim transitar entre esses diversos gêneros, mas em Lanterna Verde isso sempre acontece de forma truncada e confusa, nunca parecendo realmente “orgânico”, como se algumas cenas tivessem sido enxertadas, montadas fora de ordem ou apenas filmadas porque o diretor de segunda unidade disse que seria “muita zuera” se fizessem. Exemplificando melhor o nível de sutileza e lógica nas transições temáticas, é mais ou menos como se com 30 min de “Aliens” Ridley Scott inserisse uma cena de jantar romântico e depois, lá perto do final, um alien aparecesse em cena e falasse pra Sigourney Weaver “puxa meu dedo”. Continua…

Mini-conto #7: “Era primavera, numa noite de lua cheia, e você vestia azul”

joão baldi jr. Comentários

Começou como uma brincadeira. Estavam na festa de aniversário dos avós dela e depois da sétima ou oitava vez que perguntaram como tinham se conhecido ele viu que não queria mais contar a história de como tinha atropelado o pug dela no parque. E pro primo dela disse que tinham se conhecido num show, ela estava caindo da grade, ia ser pisoteada pela multidão insana, e ele esticou a mão pra ajudar. Pra uma tia falou que tinham se encontrado na saída de uma livraria, ele carregava uns livros, ela segurou a porta, tomaram um café. Pra avó falou que era um segredo, nem a Lu sabia, mas eles tinham estudado no mesmo colégio, ele duas turmas acima, e sempre tinha sido apaixonado por ela, mas só agora tinha se declarado. Pra empregada falou que tinha sido pela internet, pro cara do churrasco disse que tinha sido uma amiga em comum. Pro tio Rubem falou que ela tinha ganho ele da ex-namorada, numa partida de pôquer, mas ele não se sentia objetificado porque era um homem moderno.

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5 sinopses para comédias românticas com finais tristes

joão baldi jr. Comentários

Rapaz feio e complexado conhece por acaso garota bonita durante a festa de um amigo e ela se mostra interessada por ele. Os dois vão se encontrando outras vezes, sempre de forma acidental e fortuita, mas o jovem continua incapaz de acreditar que uma garota tão fisicamente bonita e disputada por outros caras esteja real e sinceramente atraída por ele, opinião essa que encontra eco em seus amigos e familiares, que também acham que ali deve ter alguma coisa de errado. Por fim ele acaba se apaixonando e por conta dessa nascente relação se vê obrigado a passar por um complexo (e bem-humorado) processo de crescimento pessoal que o leva a entender que somos todos humanos, o amor acontece e ninguém está “acima da liga de ninguém”. O auge do filme seria quando ele, informado por uma amiga em comum que a garota estaria se mudando para estudar artes cênicas em Chicago, finalmente toma coragem e a convida para jantar, se declarando com uma serenata em frente a janela do prédio em que ela mora. No jantar ela contaria que não, não estava afim dele, apenas se envolveu num esquema de pirâmide e precisava vender uma massa caseira de biscoito pra mais 5 pessoas, mas era dinheiro garantido, não tinha erro. Garoto compra massa e depois não consegue vender pra mais ninguém, porque essa coisa de pirâmide sempre dá merda no final.

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6 breves observações sobre o novo filme dos X-Men

joão baldi jr. Comentários

“X-Men – First Class” é um filme bacana e divertido. O roteiro é bom, a trama flui de forma interessante, os atores se saem muito bem e a história consegue misturar ação, aventura e momentos que, sinceridade, me lembraram um bocado o seriado antigo do Batman, no bom sentido. Várias vezes falta um nível maior de desenvolvimento dos personagens e algumas coisas – como o “plano genial” do vilão – são apenas bobas e parecem ter sido imaginadas por um aluno repetente da sexta série, mas eles compensam tudo com um participações especiais, um ritmo bacana e um professor Xavier que bebe cerveja e tenta pegar as gatinhas com cantadas sobre mutação genética. Por sinal, nunca num filme de super-heróis se bebeu tanta cerveja, reparem.

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Movie Review #12, #13, #14 e #15

joão baldi jr. Comentários

Mandando bala : Esse é um filme que eu sinceramente não entendo como não se tornou um clássico instantâneo, com dezenas de continuações e quaquilhões de dólares para todos que participaram. Afinal, temos Clive Owen como um mocinho clichê que come cenouras e faz piadas sobre o Pernalonga, temos uma mocinha prostituta interpretada pela Monica Bellucci de decote, temos Paul Giamatti como um vilão genialmente bizarro e temos cenas de ação envolvendo bebês, secadores de mão daqueles de banheiro, pessoas fazendo sexo enquanto atiram e todo tipo de cena irreal e surrealmente decorrente das combinações disso tudo. Um exemplo clássico de que para fazer um bom filme de ações estupidamente mentiroso tudo de que você precisa é manter uma certa coerência na sua mentirosidade, como todos nós aprendemos em “Adrenalina” e “Carga Explosiva”.  Cotação: 6/8

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Sobre o reboot de Predadores que eu nunca vou escrever

joão baldi jr. Comentários

“Viu o trailer de Predadores?”

“Vi…não me empolgou…e você, botou fé?”

“Achei fraco…fora que eu acho que eles foram pro lado errado, sabe? Essa coisa toda de espaço e tal. Perdeu o elemento humano da coisa, saca?”

“Como assim?”

“Pensa só…agora eles tão no espaço. Um planeta alienígena. Qual a graça então? Tipo, eles tão fodidos de qualquer maneira. O que eles vão fazer, matar todos os predadores e pegar um ônibus pra casa? Dominar o planeta? Roubar um avião com o Wesley Snipes dentro?”

“É, realmente…”

“Faltou o elemento humano, como eu disse. E pô, é muito fácil fazer uma trama melhor do que essa…”

“Tipo o que? Mais parecido com o primeiro?”

“Sei lá, nem precisa. Uma boa, olha. Começa com um Predador entrando num ônibus em Caxias, certo?”

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