vida profissional

Capa

Quadros que venho desenvolvendo para Paulo Silvino na próxima temporada do Zorra Total #1 e #2

joão baldi jr. Comentários

paulo-silvino

#Esse quadro começaria com o personagem de Paulo Silvino, um homem cuja aparência é a do Paulo Silvino e o jeito de andar e falar nos recordam muito o Paulo Silvino, ainda que não se chame Paulo Silvino, entrando em um prostíbulo em Manaus, repleto daquelas garotas seminuas que atuam como figurantes no programa, usando trajes mínimos. Chegando lá ele tentaria abordar as garotas de programa com papinhos do tipo “oi gatinha, quer subir com o papai” ou “o que eu preciso fazer pra dar um beijinho nessa boquinha linda” sendo sempre rechaçado com demonstrações extremas de sinceridade como “não quero, seu velho feio” ou “só nascendo de novo, tio”, que deixariam ele confuso e aturdido. Também teríamos interlúdios com outros clientes do bordel nos quais eles fariam perguntas retóricas que as prostitutas responderiam de forma sincera (“e aí, tá gostando do papaizão aqui?” – “não, estou nessa apenas pelo dinheiro”), momentos esses que seriam usados para piadas tópicas envolvendo política, futebol ou novelas da globo (“mas Moreira, sabe porque esse país não vai pra frente?” – antes que o Moreira responda uma das prostitutas dá uma declaração sobre como isso é culpa das altas taxas de juros praticadas pelo infeliz governo Dilma). O quadro terminaria com Paulo, chocado diante de tamanha sinceridade, olhando para a câmera e dizendo desconsolado “mas essa zona tá franca demais!” e uma música do tipo “CUEN CUEN CUEN” tocando ao fundo.

Continua…

Dos robinhos da maldade, dos denílsons da babaquice

joão baldi jr. Comentários

denilson-brasil-x-turquia1_noticia_imagem

Por mais que nós tenhamos consciência de como o mundo é duro, a realidade é complexa e nem sempre aqueles ideais de amizade, harmonia e um coleguinha emprestando o giz de cera pro outro, que aprendemos em casa e na escola, conseguem ser diretamente aplicados por todos na vida real, é sempre um certo choque quando somos obrigados a aceitar que alguma pessoa, seja ela próxima ou distante, está agindo de forma deliberada visando nos prejudicar. Afinal, na nossa narrativa pessoal nós somos os protagonistas, na nossa visão de mundo nós somos os mocinhos, no star wars de cada um somos todos Luke Skywalker e ninguém quer ser Darth Vader (ainda que eu pessoalmente ache mais bacana ser o Lando por que nada supera o combo capa e bigode).

Continua…

Da necessidade de canais incomuns para escape de frustração em situações de irritação repetitiva

joão baldi jr. Comentários

tmnt02a

Daí que você tem um problema. Não é um problema novo, não é um problema grande, não é um problema dramático, não é um problema inédito, é apenas um problema. Ele já vem de algum tempo, ele já vem consumindo algum esforço, ele já foi comunicado a todas as pessoas com quem você tem contato o bastante para comentar sobre algum problema seu. Com algumas você abordou o problema de forma vaga (“ah, sei como é, também tenho esse problema”), com outros de forma pormenorizada (“então, e por causa disso, disso e disso, isso é um problema, me deixa trazer o retroprojetor, eu fiz umas lâminas”), mas nesse meio tempo o problema persistiu, não foi resolvido, e a duração dele não fez diminuir o seu nível de contrariedade em relação ao problema. Na verdade ele apenas vem aumentando.

Continua…

Isso é o que está acontecendo na minha vida agora

joão baldi jr. Comentários

scrubs

Essa terça-feira, eu estava no trabalho. Um pouco cansado, um bocado chateado, meu dia estava sendo ruim. Aí o telefone tocou.

“Alô, boa tarde”

“Boa tarde, tô falando com o João?”

“Sim, é o João. Em que eu posso ajudar?”

“Aqui é o Joaquim, do projeto. Tá sabendo da reunião?”

“Opa. Que reunião? Que projeto?”

Continua…

Colegas que não ajudam o seu trabalho #23, #24 e #25

joão baldi jr. Comentários

andy

O cagão – Extremamente cioso da própria posição profissional, esse colega apresenta um estado constante de total e completa paranóia em relação a sua manutenção no emprego. Ele tem medo de contrariar o gerente, receio de discutir com o coordenador, pavor de contradizer o supervisor, não gosta de se envolver em argumentos com colegas de trabalho, evita questionar pessoas da outra gerência e uma vez foi visto trazendo um café para o estagiário porque ele parecia meio chateado e nunca se sabe que contatos aquele garoto pode ter. Incapaz de negar uma solicitação, questionar uma ordem ou apenas avisar que montar a árvore de natal da gerência não é exatamente trabalho de designer, a tendência natural desse profissional é sempre a de acumular demandas sem sentido, se perder em tsunamis de retrabalho e ficar até as 20:00 no escritório revisando o convite pra festa de 15 anos da tartaruga de um gerente que pediu com muita insistência. Ainda que visto como um perigo apenas para si mesmo, ele quase sempre arrasta em sua paranóia seus colegas de setor, que acabam envolvidos nas suas atividades e passam muita raiva, principalmente por sempre terem sido péssimos montando essas árvores de plástico. Aqueles encaixes apenas não fazem sentido pra mim, sério.

Continua…

2013 e a pequena morte das grandes resoluções

joão baldi jr. Comentários

milton-office space

De todas as promessas de ano novo que fiz envolvendo os aspectos mais diversos da minha vida, desde dar mais atenção para as pessoas até parar de culpar a tim quando não quiser atender ligações, passando por não usar minha mãe ou minha namorada como pretexto para não participar de eventos e nunca mais mencionar religiões que eu não sigo como desculpa para não provar comidas, uma das que eu concluí que precisava levar mais a sério era a de tentar olhar o mundo com menos hostilidade.

Continua…

Pessoas com quem você não quer topar durante uma reunião #97, #98 e #99

joão baldi jr. Comentários

#97 – O Ted Mosby: Um contextualizador obsessivo, o Ted Mosby sente uma necessidade incontrolável de, diante de qualquer questão, por mais simples e inócua que seja, oferecer um panorama completo, histórico e detalhado de todos os aspectos relacionados ou não, conseguindo transformar qualquer discussão, mesmo que absolutamente superficial, numa verdadeira palestra. Ele não consegue falar sobre o fluxo de caixa sem apresentar o plano de negócios, não consegue apresentar o projeto sem discutir a missão, não consegue citar o nome de alguém sem mencionar toda a equipe, incluindo background, formação e habilidades específicas e certa vez, quando alguém perguntou quem tinha feito aquele café delicioso ele começou com a frase “a história do café começou nas terras altas da etiópia no século IX…” e todos só conseguiram sair da sala quando o cara da segurança apareceu pra dizer que precisavam apagar as luzes.

Continua…

Do conhecido enquanto ferramenta de estranhamento e reconhecimento social (ou apenas: “Alfacinha”)

joão baldi jr. Comentários

Como qualquer um dos 7 usuários do google + poderia apontar, nossa vida social é composta basicamente por círculos, cada um deles diretamente relacionado ao nível de intimidade e ao volume de características que compartilhamos com seus membros. Com familiares dividimos material genético, alguns traços físicos e um acordo tácito de nunca perguntar como o tio Alfredo ganha o dinheiro dele. Com amigos compartilhamos interesses, visões de mundo e histórias desagradáveis sobre aquela vez em que alguém se alimentou apenas com frolic durante dois dias e nem era aquele com vitaminas. Com colegas de trabalho compartilhamos uma fonte de renda, uma copa e um clima de hostilidade constante derivado da total dedicação deles a foder com a sua vida. Mas esse sou eu, que não tenho uma relação legal com o meu trabalho. Não vou generalizar.

Continua…

Sobre primeiros beijos, saltos de fé e todo esse medo de portfólios, originais e empregos novos

joão baldi jr. Comentários

Uma teoria que eu sempre tive é a de que em nenhum momento, independente de qual seja, o tempo se move tão lentamente quanto naqueles momentos antes de um primeiro beijo. Sim, os poucos segundos, logo antes dos lábios se encontrarem, em que você já moveu o corpo, olhou diretamente nos olhos, e começou a aproximar o seu rosto do dela, manifestando claramente suas intenções, deixando de lado qualquer resquício de fingimento e abandonando de vez aquela farsa de que vocês efetivamente saiam do trabalho todo dia no mesmo horário ou magicamente entravam no gtalk na mesma hora quando estava óbvio que você ficou mais de vinte minutos passando frio do lado de fora daquele prédio e estava offline jogando marvel ultimate alliance o tempo todo.

Continua…

Sobre uma certa ligação entre a complexidade da descrição do seu dia e a hora certa de trocar de trabalho

joão baldi jr. Comentários

 

No começo dava pra descrever rapidamente, fosse do jeito que fosse. Sua mãe, seu irmão, as vezes uma tia ou uma avó perguntavam como ia o trabalho e você soltava um “tudo bem”, “meio chato”, “um pouco cansativo”. Você não pensava muito, era apenas trabalho, tinha seus dias bons, tinha seus dias ruins.

Depois começaram as metáforas. Encontrando com a namorada na sexta à noite você dizia que “era um inferno”, “era um caos”, “era uma droga” e rapidamente partiu pras comparações simples, mencionando que era como “uma bela surra de bastão”, “apanhar na rua” ou “como estar preso num episódio ruim de the office”.

Continua…