Arquivos do mês fevereiro 2011
4 razões pelas quais eu não gosto de telefones
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O falso senso de urgência inerente: Poucas pessoas notam, mas existe algo de claramente opressivo num telefone tocando. Primeiro pela idéia de urgência e dever que ele traz (você não pode deixar o telefone esperando, você não pode favoritar o telefonema pra ler depois, você não pode colocar na pasta “não-atendidos” e depois atender em casa, enquanto toma uma cerveja), depois pela postura claramente invasiva de qualquer tipo de ligação (é alguém fazendo contato sem aviso, sem hora marcada, sem combinar previamente o assunto, e quase sempre quando você está tomando um chocolate quente na máquina do corredor e sua chefe está do lado da sua mesa). Ou seja, o telefone, assim como um pedido de casamento, um interrogatório da polícia ou um cara de capa de chuva que aparece na frente do seu carro do nada em um suspense adolescente da década de 90 envolvendo a Jennifer Love Hewitt, é algo que exige de você uma resposta imediata. Ainda que sem o lance da mão de gancho, que era a parte legal do filme.
Doenças da modernidade: casos #1 e #2
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Síndrome de Scott Pilgrim – Uma doença neurológica muito comum entre seres humanos do sexo masculino, mas apenas recentemente catalogada, a Síndrome de Scott Pilgrim afeta a área do cérebro responsável pela memória causando sutis alterações na percepção que uma pessoa tem dos fatos do seu passado.
Quase sempre atuando em suas lembranças ligadas a relacionamentos, ela, através de pequenas mudanças no alinhamento dos eventos ocorridos, faz com que o homem tenha uma visão muito mais favorável das posturas que tomou, ignorando quaisquer desvios éticos ou atitudes imorais que tenha cometido, chegando ao extremo de até mesmo assumir uma postura de vítima diante do término da relação. Traições se transformam em deslizes, falhas viram e acidentes e você começa a acreditar que aquelas garçonetes cobertas de chantilly eram realmente suas primas e aquele perfil falso da sua ex-namorada no Par Perfeito era apenas uma brincadeira sadia que ela, chata como sempre, não entendeu.
Top 3 – Grandes porteiros que trabalham no meu prédio
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# O Zé é o porteiro do turno da manhã e sempre está lá quando eu saio de casa (se eu sair na parte da manhã, claro. se eu só sair de tarde ou de noite ele já vai ter ido embora, porque o contrato dele envolve ficar lá na parte da manhã, não ficar lá até eu sair do prédio, não sei se ficou claro). Quando eu e o Tarcísio (o cara que racha apartamento comigo) nos mudamos pra lá, notamos que ele era o mais grosseiro e menos prestativo dos porteiros. Eu dava bom dia e ele não respondia, eu perguntava alguma coisa e ele apenas rosnava, eu estava chegando e ele não segurava o elevador, coisas assim.
A mais longa playlist de músicas tristes (ou relativamente tristes) do universo: itens #201, #202, #203, #204 e #205
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#201 – Scouting for girls- I’m not over you: De todas as possíveis formas muito, mas muito ruins de ser chutado por alguém – que incluem desde términos na noite do natal, na sua casa, durante a ceia, enquanto você come rabanada, até términos via sms, passando por caminhões de som tocando Djavan na frente do seu trabalho e chegando ao conceito do chute literal como prova de que não, não rola mais, acabou – uma das piores é o não-término. Sim, aquele em que ela não liga, ela não avisa, não te leva pra um restaurante pra dizer que o problema é ela e não você, não diz que espera que vocês possam ser amigos, ela apenas vai embora e não dá notícia. Mais do que apenas terminar contigo, ela salta etapas e finge que nunca aconteceu nada entre vocês dois, te retirando da cronologia da vida dela mais ou menos como a Marvel fez com o Tony Stark adolescente e a DC fez com Beppo, o super-macaco e aquelas histórias esquisitas em que o Batman se vestia de rosa.
Carta aberta a um amigo (ou “Sobre Einstein, relativismos, lembranças e as vantagens do streaming de pornô”)
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Como você provavelmente sabe, poucas coisas na vida são mais complicadas do que realmente conhecer uma pessoa. Não falo de conhecer superficialmente como a gente conhece colegas de trabalho, amigos de namoradas ou aquela vizinha da frente que tem o logo da Iniciativa Dharma na frente da porta e a gente tem medo de perguntar o porque, ainda mais quando ela sai pra colocar o lixo usando aquele capuz branco esquisito. Não, eu falo de realmente conhecer. Conhecer de verdade. Saber de onde a pessoa veio, entender aonde ela quer chegar, conhecer os anseios e os sonhos dela. Conhecer mesmo, entende? Isso, como eu disse, é muito complicado.
Problemas práticos do romantismo teórico – XVI
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O conhecimento popular e o senso comum nos dizem várias coisas sobre o relacionamento homem e mulher que muitas vezes não são necessariamente verdadeiras ou que, mesmo quando são, não devem ser levadas ao pé da letra. Idéias como “ela disse não mas quer dizer sim”, “você pode ganhar pela insistência” e “o naked man sempre funciona” podem ter em si algum fundo de verdade mas não são necessariamente dogmas nos quais você pode se apoiar pra levar a sua vida (ainda mais porque, como todos nós sabemos, o naked man só funciona em 2/3 dos casos). Mas uma verdade que parece se manter inabalável para qualquer homem é o fato de que ele se torna muito mais atraente para as mulheres quando está num relacionamento.
Mini-conto #4: “Berinjela à milanesa”
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A verdade é que sempre tinha gostado mais de frango. Desde garoto, desde pequeno. Não que não gostasse de um churrasco ou deixasse de ver graça quando o avô cozinhava carne de porco no sítio, mas sempre teve uma predileção pela carne de aves que ia desde a mais rústica galinha ao molho pardo até o mais industrializado e nada sadio frango frito, desses que dá pra pedir em baldes nos fast foods, passando pelos chesters anabolizados e as codornas que seu pai havia aprendido a fazer naqueles programas da TV.
All the best cowboys have (grand)daddy issues
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Um dia desses eu estava conversando com os caras sobre filhos. Sim, quando você chega na casa dos 26 as conversas sobre garotas rapidamente se tornam conversas sobre relacionamentos, que desembocam em conversas sobre namoros, que descambam para conversas sobre casamentos e subitamente, quando você menos nota, as pessoas estão falando de crianças, bebês, filhos e você fica ali com aquela sensação de que o tempo passou rápido demais, o futuro já acabou e em breve não vai ter mais ninguém pra jogar kinect contigo no meio da semana. Mas não, o texto não é sobre isso, é sobre um problema maior.