Arquivos do mês junho 2010

Da arte de disfarçar sua euforia e preocupação durante eventos, telefonemas e encontros fortuitos (ou não)

joão baldi jr. Comentários

“Alô, Celso, aqui é a Fabiana, tudo bem?”

(ela me ligou, ela me ligou, ela me ligou! uhu! ela me ligou, ela me ligou, ela me ligou! caralho, ela me ligou! porra, ela me ligou!”)

“Ah, oi. Tudo bem?”

“Tudo…você tá lembrado de mim, né?”

(claro que tô lembrado de você. na verdade eu não paro de pensar em você há uma semana e tenho rabiscado seu nome em bloquinhos no escritório e acho que balbuciado ele enquanto durmo. ah, e eu tentei te compor uma música e ficou uma bosta, mas não quero pensar nisso. eu lembro, putz, eu lembro. como eu ia te esquecer?)

“Tô sim, claro”

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E duas coisas legais da Copa do Mundo

joão baldi jr. Comentários

#O futebol: Você pode argumentar que o futebol de hoje em dia não é mais tão bonito quanto o de antigamente, que as seleções não levaram seus melhores jogadores, que os resultados são armados, que várias das equipes estão lá só pra fazer figuração, que as grandes marcas de material esportivo controlam o esporte além dos limites da ética, que metade dos atletas é dopado, que o time da Coréia do Norte saiu todo fazendo caretas no álbum de figurinhas ou mesmo que metade dos jogadores de meio de campo do Brasil não conseguiria matar uma bola nem mesmo usando um rifle com mira telescópica, mas não pode mudar o fato de que a Copa do Mundo é a maior competição esportiva do mundo, quiçá do universo. Mas ok, talvez você tenha razão nos tópicos anteriores, principalmente no lance das caretas.

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Quatro coisas babacas da Copa do Mundo

joão baldi jr. Comentários

#Galvão Bueno: Bem, eu sou o primeiro a admitir que criticar o Galvão Bueno é meio como reclamar do conflito em Israel: já estava lá quando eu nasci, continua lá hoje, possivelmente vai estar lá quando eu já tiver morrido e todos nós sabemos que a ONU nunca vai tomar uma atitude de verdade pra resolver o problema. Mas quando se aproxima a Copa do Mundo e o império de Galvão renasce (ele narra, comenta, discute arbitragem, tem links de meia em meia hora, apresenta o “Bem, amigos” e entra nos jornais, num nível de onipresença tal que se você gritar do banheiro um “mãe, esqueci a toalha”, é ele que vai levá-la pra você) com todos os seus vícios e hábitos (todo jogo é cheio de rivalidade, toda partida é de vida ou morte, tudo que os argentinos fazem é catimba e não, não estamos procurando culpados, mas o Roberto Carlos estava ajeitando a meia) é sempre bom aquecer nossos corações com o saudável ódio por Galvão e a vontade de que seu filho com cara de Kiko perca todas as competições que dispute.

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Pequenos diálogos que fazem com que as pessoas te achem esquisito # 8766

joão baldi jr. Comentários

“Interessante isso, não? Isso que o palestrante disse”

“É…Mas você sabe o que é interessante mesmo?”

“O que?”

“O misto frio, você já parou pra pensar?”

“No que?”

“Tipo, a gente chama o misto quente de misto quente porque ele é quente, certo? A gente esquenta ele. Mas a gente não esfria o misto frio. A gente come ele em temperatura ambiente. Então ele deveria ser misto morno, não?Misto ambiente, sei lá…”

“…”

“Cara, simplesmente não faz sentido!”

“…”

Problemas práticos do romantismo teórico – VII

joão baldi jr. Comentários

Um dos grandes problemas dos relacionamentos é o “pra sempre”. Afinal, toda relação “séria” começa com o intuito de continuar e nenhum namoro começa pra ser “um namoro”, todos começam pra ser “o namoro”. Sim, “o namoro”, aquele que irá acabar com todos os outros namoros, mais ou menos como a primeira guerra iria “acabar com todas as guerras”. E claro, isso não acontece. E não estou falando só do fato de que tivemos uma segunda guerra mundial, se vocês não notaram.

Imagine que você está naquela fase da maturidade do namoro. Vocês passaram pelas turbulências iniciais, sobreviveram ao árduo processo de conhecimento mútuo, passaram da crise dos três meses, a crise dos sete meses e a crise do mês randômico em que um dos dois pira e age como um maníaco mascarado, e estão naquele momento em que o relacionamento parece afinado o bastante para durar. Durar quanto? Durar pra sempre? Só que existe um problema grave com o “pra sempre”: pra sempre é muito tempo. Sério, pra sempre é além de sexta-feira que vem, pra sempre é depois do final do campeonato brasileiro, pra sempre é depois das bodas de ouro da sua avó, pra sempre é até mesmo depois que você terminar de pagar as prestações do Gol novo que você comprou. Pra sempre é tempo pra caramba, meu amigo.

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4 músicas tristes pra você ouvir no inverno

joão baldi jr. Comentários

I smell winter – The Housemartins: Antes do Weezer, antes do Barenaked Ladies ou do They Might be Giants, o Housemartins era provavelmente a máxima expressão do rock nerd, ainda nos longínquos anos 80 (ok, eu exagerei, os anos 80 foram praticamente semana passada e meu pogobol ainda está no corredor, junto com o Genius e aquele boneco que dava soquinhos), pelo visual “óculos e camisa pólo com bolso”. Autores do mega-sucesso “Build” (conhecido no Brasil como “Melô do papel”), eles também lançaram a menos conhecida “I smell winter”, uma música nada animadora relacionando o inverno à solidão, tristeza e ao beijo da morte. Grande música, mas não chega a ser surpresa que com essa postura totalmente animadona o grupo tenha durado apenas dois discos.

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Top 4 – Razões pelas quais caras têm quedas por ruivas

joão baldi jr. Comentários

O fascínio da minoria: Tudo que é diferente acaba chamando a atenção e possivelmente despertando interesse. Num período longínquo, quando loiras eram uma raridade que só poderia ser encontrada em latitudes específicas e quase sempre dentro de algum barco viking, nossos pais e avôs idolatravam loiras e daí surgiram mitos como Marilyn Monroe e derivadas (note que na minha cabeça meu avô, os vikings e Marilyn Monroe conviveram no mesmo período histórico). Já na nossa geração, um tanto quanto saturada com o “blonde boom” que se deu após a descoberta do poder da descoloração (possivelmente ensinado pelos vikings ao meu avô) as ruivas acabaram entrando em voga por serem, agora, o diferente, o incomum. Daí o recente interesse e a profunda presença das ruivas no imaginário masculino. Fora que quando você se perde de uma ruiva no shopping costumava ser bem mais fácil pra encontrar olhando de longe. Mas isso sou eu sendo frio e utilitário de novo.

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Top 5 – Músicas malandronas e danadinhas da década de 80

joão baldi jr. Comentários

Michael Jackson – Billie Jean : Primeira música a também poder ser usada como argumento da defesa em um processo de pensão alimentícia, Billie Jean é uma daquelas canções que representam bem o espírito de malandragem marota da música oitentista, com a história de um cara que, ok, admite que praticou o esporte bretão com a garota, mas nega veementemente a paternidade daquela criança. Afinal, o bebê é negro, como poderia ser filho do Michael Jackson? Destaque para o vídeo-clipe, que é sensacional, mas não faz absolutamente merda de sentido nenhum.

Divinyls – I touch myself : Bem, se eu não entendi alguma coisa errado ou tenho uma mente muito suja, essa é uma música sobre masturbação, o que, por si só, já a coloca totalmente alinhada com o conceito oitentista do “do it yourself malandrão”, que ia desde o Charles Bronson fazendo justiça com as próprias mãos (ok, em outro sentido, mas com as próprias mãos) até o movimento punk e a explosão dos vídeos pornôs, além de comprovar que “Sometimes you can’t make it on your own”, a música que Bono compôs aos 16 anos, quando teve os dois braços engessados, não era um caso isolado de abordagem do assunto.

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Top 5 – Coisas pra dizer se você falhar na Hora H

joão baldi jr. Comentários

Existem várias coisas que todo homem cresce pensando que nunca vão acontecer com ele. Ser atropelado por um rinoceronte laranja, ter que se vestir de castor, abrir a porta de casa e receber de um cara fantasiado de palhaço uma porrada usando uma peça de bacalhau, coisas desse tipo. E outra dessas coisas que você realmente nunca imagina que possam te acontecer é falhar na hora H. É o tipo de coisa que seu pai não te explica, seus tios não comentam e jamais é citado nas aulas de educação sexual, mesmo porque não teria utilidade prática fazer o lance da camisinha na banana com uma banana amassada num prato.

Mas a pior parte é que esse é um daqueles momentos na vida em que nada justifica suas ações, nada. Tal qual um cara que deu uma rasteira na própria mãe, colocou fogo num coala vivo ou foi pra assembléia geral da ONU contar para o representante da Etiópia aquela piada de que o Papai Noel não vai à África porque criança que não come não ganha presente, nada que você diga vai explicar, justificar ou minimizar a situação desagradável. Mas mesmo assim aqui vão cinco recursos clássicos para esse momento que, é claro, nunca aconteceu comigo, mas pode algum dia acontecer com você ou com um primo de um amigo seu.

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Minhas referências icônicas de romance (3 de 5)

joão baldi jr. Comentários

O personagem: Adam Strange

O contexto: Criado em 1958 por Gardner Fox e Mike Sekowsky, Adam Strange é um arqueologista que durante uma escavação se descobre subitamente teletransportado até um planeta distante chamado Rann através da tecnologia dos raios Zeta. Em Rann ele se torna o protetor do planeta e se apaixona pela princesa Alanna. Os raios Zeta porém não conseguem mantê-lo lá permanentemente, o que faz com que ele sempre volte á Terra e tenha que buscar ao redor do globo o local onde o próximo raio de teletransporte irá cair.

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